"Compromisso com a qualidade do ensino que oferecemos"

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Projeto Escola para a Vida

















No dia 27 de junho de 2009 foi realizado nas dependências da E.E. João Carlos Flores, o Projeto Escola para a Vida.

Um sábado repleto de atividades direcionadas à comunidade escolar.

Projeto Político Pedagógico 2009

ESCOLA ESTADUAL JOÃO CARLOS FLORES

Av. Assunção, s/n° - Rita Vieira I - Fone 3387-9810

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO


DEDICATÓRIA

Como a educação pode ser um dos instrumentos de transformação da sociedade, dedicamos este projeto a todos que, envolvidos no processo educacional, buscam a superação das relações sociais vigentes e acreditam numa sociedade melhor, atuando com compromisso de modo a buscar condições necessárias para materializar a educação com qualidade, tendo a ousadia de colocá-la em prática a cada dia.

MENSAGEM


Mudanças. . .

Hoje somos mais

Hoje somos muitos

Na luta diária

É sempre advento

Nesse novo milênio

Bem vinda a tecnologia

Traz ferramentas diversas

Para nosso dia-a-dia

Alguns professores se foram

Outros se juntaram ao grupo

Para quem fica é sempre luta

A batalha continua

Filhos de antigos alunos

Hoje nossos alunos são

A comunidade se renova

Mais um elo do cordão

Sempre de mãos entrelaçadas

Nosso trabalho continua

Somos muitos, somos todos

Nosso ideal se perpetua

A nossa João Carlos Flores

Está ampla, informatizada

Compete com as melhores escolas

Caminha sempre organizada

E toda a comunidade

Tem o mérito do progresso

Pois o grupo é muito unido

Eis a razão do sucesso

Profª Maria de Lourdes Moraes





I APRESENTAÇÃO


Percorremos um longo caminho de construção da personalidade de nossa Escola e hoje podemos afirmar que a comunidade escolar concentra seus esforços, na busca de uma melhor qualidade de ensino.

Nessa trajetória, o trabalho coletivo foi se solidificando como uma nova cultura no interior da escola, por meio de planejamento participativo, onde as ações pedagógicas passaram a ter novos sentidos, posto que são oriundas das necessidades apontadas nos diagnósticos resultantes das pesquisas realizadas na escola, em todos seus segmentos.

Por meio da prática de investigar e planejar os trabalhos pedagógicos, alguns pontos se apresentaram relevantes como, por exemplo, o problema de disciplina do alunado que, ao longo dos sucessivos anos tem sido um complicador para o processo educacional em nossa escola. Isso nos leva a supor que o trabalho com as famílias poderá ser um elemento importante para minimizar esse problema. Sabemos que esse trabalho não será tão simples, pois a escola tem tido pouco êxito em contar com o apoio efetivo da família, o que nos leva a propor novas estratégias para superar esse descompasso entre família e escola. Sabemos que o trabalho com a família é relevante, pois é uma maneira de conhecer melhor nossos alunos, bem como fortalecer o compromisso desse segmento no tocante ao processo educativo.

No tocante ao desempenho dos alunos do Ensino Fundamental e Médio podemos considerar que os dados abaixo sugerem que no ano de 2007 os resultados foram satisfatórios com relação ao ano anterior e ao sucessor. Em 2008, notamos um ligeiro aumento na taxa de retenção, conforme demonstra o quadro abaixo, resultado de um levantamento preliminar para iluminar nossa pesquisa:


RESULTADO FINAL DE APROVEITAMENTO DOS ALUNOS FREQUENTES ATÉ O FINAL DO ANO

2006

AF: 565

A= 68%

R = 32%





2007

AF: 605

A = 86%

R= 12%





2008

AF: 655

A = 80%

R = 20%

Legenda: AF: alunos freqüentes no final do ano letivo A: alunos aprovados; R: alunos retidos. Fonte: Ata de Resultados Finais/2006-2008.


Esses dados nos levam a indagações de como esses fatos veem ocorrendo:

1. Seriam resultantes de metodologias inadequadas?

2. O espaço escolar não está adequadamente equipado?

3. A falta de interesse e participação da família?

4. Salas de aula com número elevado de aluno, principalmente no Ensino Fundamental?

5. Falta de formação continuada dos professores, funcionários e gestores?


Diante desses questionamentos, procuramos aprofundar um pouco mais nossas pesquisas e notamos que os índices de cancelamento de matrícula, transferências e desistências também são acentuados, como podemos verificar no quadro abaixo. Embora os índices demonstrem certa melhoria em 2007, eles não são tão animadores, pois no Ensino Fundamental os índices vêm aumentando significativamente. Quanto ao Ensino Médio Noturno deu-se o inverso.




ALUNOS: MATRICULA CANCELADA, TRANSFERIDOS E DESISTENTES


E Fundamental

E. Médio Diurno

E. Médio Noturno

Total

Percentual

2006

T, C e D: 141

T, C e D: 30

T, C e D: 142

313

30%


22%

23%

55%



2007

T, C e D: 168

T, C e D: 35

T, C e D: 76

279

26%


24%

21%

42%



2008

T,C e D: 203

T,C e D: 58

T,C e D : 25

286

27%


28%

25%

24%



Legenda: T: alunos transferidos; C: matrícula cancelada; D: alunos desistentes.

Fonte: Ata de Resultados Finais/2006-2008.



Diante disso, a Escola tem como desafio replanejar suas ações de modo a reverter esses quadros nada animadores. Para tanto, num esforço coletivo de todos os segmentos, que atuam no espaço escolar, propôs-se a elaborar um planejamento que possa qualificar o trabalho pedagógico, por meio do Projeto Político Pedagógico.


Entendemos que o Projeto Político Pedagógico é o instrumento que, construído coletivamente e praticado no interior da escola, poderá contribuir para nortear o processo educativo, onde as vozes de todos são ouvidas e conclamadas a participar da construção da proposta pedagógica.


Temos como objetivo oferecer uma educação pautada em parâmetros concretos, dedicação, criatividade e compromisso com um ensino que prepare o educando para aprender a aprender e construir uma escola eficaz por meio do esforço e da mobilização dos profissionais nela locados, com vistas a dar novos sentidos ao senso comum.


Dessa forma, contamos com uma equipe de educadores compromissados e voltados para o estudo e pesquisa. Isso contribuirá para que o trabalho pedagógico seja o melhor que pretendemos oferecer aos nossos alunos. Quando falamos em educadores, estamos nos referindo aos segmentos como gestores, coordenadores pedagógicos, professores, funcionários administrativos, serviços gerais de limpeza, merendeiras, inspetores, além da Associação de Pais e Mestres e Colegiado Escolar.


Buscamos, com isso, desenvolver práticas educativas que levem a instrumentalizar nossos alunos para o pleno exercício de sua cidadania, ou seja, que sejam capazes de analisar a realidade e propor mudanças, com o propósito de buscar uma sociedade mais harmoniosa.

Nesta perspectiva, nossa escola propõe vir a ser o espaço de cidadania que tem como finalidade o acesso de todos à educação de qualidade, visando à formação acadêmica, à inclusão social e à formação para a cidadania, no compromisso de romper com práticas cristalizadas e excludentes que impedem a educação de dar o salto de qualidade tão necessário à dignificação da vida.



Com isso, o espaço escolar será o elemento fundamental de reprodução dessas práticas devendo partir deste espaço uma efetiva intervenção social para extinguir qualquer tipo de tratamento excludente.


Nesse sentido, propomos um modelo inclusivo de educar, com o intento de debatê-lo coletivamente no cotidiano escolar, propondo estratégias e apresentando perspectivas para uma vida digna, de respeito e valorização do ser humano.


II INTRODUÇÃO


Todo início de ano é o momento de repensar, reavaliar o que tem sido feito, reestruturar práticas pedagógicas, avaliar resultados, enfim, é tempo de olhar o passado, aproveitar tudo de bom que ficou dele, traçar ações para o presente que satisfaçam a realidade atual e vislumbrar uma prática que atenda aos interesses de uma comunidade que enfrenta constantes abalos oriundos da sociedade na qual está inserida.


Não podemos, então, nos esquivar do dever de interferir na formação integral do nosso aluno, atendendo-o, no possível, no desenvolvimento de suas potencialidades, criando um ambiente favorável para que também a família participe, ajude e busque ajuda, objetivando uma ação educativa de qualidade.


Apresentamos, dessa forma, um trabalho que faz uma análise da escola, passando por sua organização administrativa e pedagógica como também, considerando a sua estrutura física.


Com base no Projeto Político-Pedagógico elaborado e implementado na Escola Estadual João Carlos Flores e nas discussões realizadas pelos profissionais que nela atuam consideramos, para a execução do PPP, os seguintes aspectos:



1. MARCO SITUACIONAL


Com o nome de "Anexo da Escola Estadual de 1º Grau Orcírio Thiago de Oliveira", a Escola Estadual João Carlos Flores iniciou sua atividade em 1981, amparada pelo Decreto nº 2537, de 16 de março de 1985. O anexo funcionou no bairro Coopharádio, à Avenida Garimpo, no Centro Comunitário, enfrentando muitas dificuldades, pois se tratava de prédio impróprio para o funcionamento de estabelecimento de ensino.


Assim permaneceu por nove anos nesse endereço, com cinco pequenas salas sem isolamento físico, enquanto se lutava pela construção do prédio próprio.


Em setembro de 1990, foi efetivada a transferência da escola para o prédio construído à Rua Assunção nº 43, Bairro Rita Vieira I, com a denominação de Escola Estadual de Primeiro Grau "João Carlos Flores".


O nome recebido por nossa escola foi uma homenagem a João Carlos Flores, professor que nasceu em 14 de fevereiro de 1933 em Rio Verde/MS, filho de Generoso Inácio Flores e Maria Madalena Holosbak Flores e casado com Celina de Oliveira Flores.


Como seus pais viviam em fazenda aprendeu cedo a lida. Sua mãe desejava vê-lo formado já que os outros filhos não tiveram essa oportunidade.


Aos vinte e um anos, João Carlos Flores, contando com o apoio de sua mãe, mudou-se para Campo Grande para dar início, então, aos seus estudos acadêmicos.


Casou-se em 1964 com Celina de Oliveira Flores e tiveram dois filhos: Daniel Oliveira Flores e Joceli de Oliveira Flores.


Nosso homenageado concluiu o 1º Grau no Ginásio Brasil de Cuiabá MT e o curso Religioso no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Rio de Janeiro-RJ, onde concluiu o Curso Normal completo.


Trabalhou como Pastor e Professor nas cidades de Guiratinga 1964 e 1971, Cuiabá 1971 a 1977, Deadópolis 1977.


Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ele cursou Pedagogia no período de 1971 a 1975.


Em seu currículo consta o Curso Intensivo de Liderança, cursado em setembro de 1965 - Campo Grande/MS.


No período de 29 de março a 02 de abril de 1982, participou do curso de atualização de Diretores das Escolas Estaduais em Fátima do Sul/MS.


Em Dourados MS, em dezembro de 1981, participou de curso de Desenvolvimento Humano e Educação Religiosa. Recebeu elogios da Vice Diretora Acadêmica pelo bom desempenho nas atividades discentes.


No Município de Guaratinga, exerceu o cargo de professor de 1º Grau na Cadeira de Português e Educação Artística.


Em 1973, exerceu o cargo de professor no município de Cuiabá MT e em 1974 em Campo Grande. Em 1977 esteve à disposição da Delegacia Regional de Educação e Cultura de Fátima do Sul.


Em 1979, dispensado, a pedido, da Escola "Scila Médici" de Deodápolis MS, a partir de 04 de Janeiro de 1979, foi contratado e passou a prestar seus serviços em Campo Grande.


Faleceu em acidente automobilístico na estrada para Rochedo, em 26 de junho de 1984.

Amava profundamente a Bíblia.


Pastoreou em Guaratinga, Rondonópolis, Jaciara, Cáceres, Deodápolis, Ivinhema e Campo Grande, foi um pastor construtor tendo construído nos vinte anos de Ministério seis templos evangélicos.


A Escola Estadual "João Carlos Flores", agora instalada em novo prédio, começou o seu atendimento com sala especial, salas de 1ª a 4ª séries e com a criação da sala Pré-escolar.


Em 1993, saiu a primeira turma da 8ª série formada pela Escola, com 27 alunos concluindo o 1º Grau.


Não podemos deixar de lembrar que no início de nossa escola, por falta de diretor nomeado, respondia temporariamente por ela a servidora da secretaria Dercy Billo e que desempenhou relevantes serviços à nossa Comunidade.


Atual gestão - Cícera Barbosa dos Santos


A partir de 1999, foi implantado o Ensino Médio nos turnos matutino e Noturno. Hoje oferecemos toda Educação Básica, a Educação Especial e, ainda, a Educação para Jovens e Adultos - EJA (Fundamental e Médio) à nossa comunidade. Nossos alunos têm melhorado quantitativa e qualitativamente o rendimento e o aproveitamento nas avaliações internas e externas. A inclusão dos educandos com necessidades educacionais especiais, hoje, faz parte da nossa realidade nos três turnos.


A atual diretora foi eleita por votação realizada no dia 28/05/2008, sendo que a mesma concorreu como candidata avulsa; posteriormente, escolheu o diretor adjunto, professor Claudecy José da Cruz, com a colaboração dos professores. Assumiu o cargo em 01 de julho de 2008, quando até então exercia o cargo de professora de Língua Portuguesa, e foi designada para a função, conforme Resolução “P” SED nº 1.413/08 de 01/07/2008.


A atual gestão escolar tem administrado com transparência, democracia por meio da valorização dos servidores, fazendo com que aconteça uma melhoria em todos os aspectos: físicos, pedagógicos, administrativos, fortalecendo a união e a confiança entre os segmentos de nossa Comunidade.


Nossa escola está localizada em um bairro periférico, em pleno desenvolvimento em sua infra-estrutura. Em torno do Bairro Rita Vieira, encontramos o silo da Farinha Dallas, a Fábrica da Coca-Cola, Semallo e a fábrica de alimentos derivados da soja, Ceval. No entanto, a atividade econômica predominante neste bairro e nos bairros circunvizinhos é, ainda, o comércio.


Visto que o padrão sócio-econômico dos nossos alunos é de médio-baixo a baixo, com um grau étnico, cultural e religioso variado e com poucas condições de acesso à universidade, pois há a necessidade urgente de se encaminhar para o mercado de trabalho, entendemos que a implantação de cursos da educação profissional é de suma importância para que os educandos tenham acesso a melhores condições profissionais.


Como a escola é palco das contradições tão próprias da sociedade contemporânea e tem que dar respostas aos alunos que; ao mesmo tempo em que estão inseridos no mundo tecnológico, encontram-se alijados até mesmo, de condições básicas para a sobrevivência, por exemplo: emprego; a escola tem diante de si o desafio de reestruturar-se para atender a alunos vitimados pelas contradições do momento, tais como desestruturação familiar, exclusão social, baixa auto-estima e distorção idade-série.


A Escola Estadual João Carlos Flores (EEJCF) funciona em três turnos e atende 16 turmas do ensino fundamental, sendo destas: 04 da Educação de Jovens e Adultos (EJA); no ensino médio são 11 turmas das quais 04 são da EJA, totalizando 999 alunos. Conta ainda, com 01 sala de recursos, no turno matutino, que atende alunos com dificuldade de aprendizagem, tecnicamente comprovada por meio de avaliação psicológica e/ou médica. Esses alunos assistem às aulas no contra-turno.


Com relação à estrutura física e equipamentos, temos ainda, pela frente a tarefa de criar e gerir novos espaços como, para a biblioteca, a aquisição do acervo e dispor de servidor qualificado para organizá-la e administrá-la; sala de multimeios; banheiros adequados às crianças do 1º ao 5º ano; laboratório de ciências, de química e física; quadra coberta.


O corpo docente é formado por 53 professores. Todos possuem graduação; 46% têm pós-graduação latu-sensu e 8% têm pós-graduação stricto-sensu.

O corpo administrativo é composto por: diretora, diretor-adjunto, supervisor de gestão escolar, 04 coordenadoras pedagógicas, 04 coordenadoras readaptadas, 1 técnica de inclusão, 01 secretária, 04 servidoras atuando na secretaria, 03 inspetores de alunos, 05 agentes de limpeza, 01 agente de manutenção, 04 agentes de merenda.


O IDEB na escola, em 2005, foi de 3,7 nos anos iniciais e nos anos finais, 3,3; já em 2007 houve um crescimento progressivo e os resultados foram respectivamente 4,6 e 3,9.


Os maiores índices de reprovação e evasão são detectados no Ensino Fundamental. A média de distorção idade-série fica em torno de 70%, o que reflete e alimenta o ciclo de insucesso nesta etapa de ensino.


2. MARCO TEÓRICO



A sociedade brasileira defronta-se hoje com processos de globalização, avanço da tecnologia e da ciência e utilização de novas linguagens que desencadeiam transformações, exigindo cada vez mais de seus cidadãos um nível de escolarização e conhecimentos produzidos e acumulados pela humanidade que se remetam a favor de práticas sociais que de fato levam o sujeito a aplicar os saberes apreendidos para melhor viver na sociedade. Assim, é papel da Escola articular-se com a Sociedade, contribuindo para a formação humana de cidadãos capazes de pensar e agir criticamente. Para atingir este intento, a escola João Carlos Flores firma-se, portanto, com propostas e serviços que satisfaçam realmente os interesses da Escola, e da Sociedade, materializados no Projeto Político Pedagógico.


O referido projeto surge como uma diretriz da lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n. 9394/06, explicitada em seu artigo 12, inciso I: “Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica” (BRASIL, 1996).


Nesse sentido, entendemos que a proposta pedagógica materializa-se em um projeto político pedagógico que indica os rumos das práticas escolares e a identidade institucional, é uma proposta de intencionalidades sinalizadas num documento. Passos (2001) destaca a importância de tal projeto, pois ele se constitui num



Processo democrático de decisões preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere conflitos, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mundo impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentados da divisão de trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão ( p. 13-14).


O marco teórico deste projeto assenta-se no âmbito da reflexão teórico-conceitual que orienta as discussões sobre Educação, bem como nos instrumentos legais que acolhem esses ideais e os transformam em políticas públicas que orientam as diretrizes curriculares norteadoras para a formação educacional para os alunos da Educação Básica, destacando a função da educação e do papel do professor na busca da formação do homem. Hoff propõe que a liberdade seja conquistada pela educação.


A necessidade da educação se impõe desde que o homem toma gosto pela liberdade. Passa, via educação, da natureza grosseira tendendo à liberdade para entrar no processo da civilização. Formar o homem torna-se, então, transformar sua natureza. E isso só se consegue pela obediência. [...] o caminho da liberdade e toma gosto nesse caminhar. (p.74, 1994).


Assim, o processo educacional, diga-se civilizador, necessita de cuidados especiais que é melhor apreendido pela educação formal. Esta tem como lócus o espaço escolar.


Segundo Saviani, "a educação também interfere sobre a sociedade, podendo contribuir para a sua própria transformação" (p.94, 1991), fato que a torna histórica.


Dessa forma, o conhecimento escolar se constitui no embate com os diversos saberes sociais. A escola seleciona saberes, dentre os que são passíveis de serem selecionados da cultura social e amplia e promove sua reorganização, reestruturando-os por meio da organização curricular, com a preocupação constante de proceder sua contextualização. Isso compõe “uma cultura escolar sui generis, com marcas capazes de transcenderem os limites da escola” (FORQUIN, p. 17, 1993).


A singularidade do espaço escolar é uma parcela da sociedade mais ampla, ou seja, do universal. Diante disso, nosso Projeto não poderá desvincular-se das questões sociais da atualidade, resultantes do mundo globalizado. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação: telefones, computadores e televisão. Cabe aos educadores possibilitar os meios para que eles possam encontrar os sentidos das ações humanas que caracterizam a “era do Globalismo” parafraseando Ianni. Segundo este sociólogo, a “globalização expressa um novo ciclo de expansão do capitalismo como modo de produção e processo civilizatório de alcance mundial”. (p.11, 1997).


Optamos por fazer a explicitação de alguns aspectos que não podem ser deixados de lado na configuração teórica deste projeto, como o da compreensão do sujeito em formação, ou seja, o aluno, objeto central da Escola bem como o da própria forma de compreensão do processo educativo, ou seja, o princípio orientador das ações educativas, em termos de articulação do conhecimento teórico orientador do fazer pedagógico.


No que diz respeito à compreensão do papel do professor, é preciso reconhecer que se trata de um profissional que está muito além de um aplicador de teorias às ações de sala de aula. Ante a multi-referencialidade que hoje se põe como realidade para o profissional de Educação, faz-se necessário, antes de tudo, a reflexão sobre seu saber-fazer. Nessa perspectiva, o professor deve ser um profissional capaz de gerir sua prática de forma reflexiva e autônoma, sendo, portanto, melhor definido como um professor-pesquisador (BORBA, 1997).


Portanto, essa definição do professor como pesquisador e gestor de sua prática, o coloca como mediador desse espaço de interface entre a teoria e a prática. O conceito de práxis (conforme a discussão de FREIRE, 1993), entendida como prática reflexiva, por meio da qual se vai da ação, à reflexão e, desta, novamente à ação, pois toda ação é orientada cognitivamente, é iluminador dessa discussão.


A realização de uma proposta pedagógica que se quer democrática exige uma gestão com tais propósitos. A gestão participativa propicia ao profissional gestor, debater com seu grupo de colaboradores internos como professores, coordenadores e funcionários, bem como, com os alunos e seus familiares todas as atividades e intervenções que serão aplicadas na escola, de forma a satisfazer aos interesses sociais. As decisões são tomadas em congregação e de acordo com as premências internas e externas. É esta a concepção assumida pela atual gestão de nossa escola. Para tanto, todas as instâncias da escola foram conclamadas a participar do processo de sua elaboração.

Outra questão que não poderia deixar de se elucidar é sobre a família. Para Lévi Strauss



A família é um grupo social que tem origem no casamento, é uma união legal com direitos e obrigações econômicas, religiosas, sexuais e de outro tipo. Mas também está associada a sentimentos como o amor, o afeto, o respeito ou o temor. (1974.p.17)



Sabemos que atualmente a família tem vários arranjos de organização como, por exemplo, crianças que moram com os pais, ou somente com um dos dois, até mesmo com parentes, além de filiação por adoção. Em todos os casos, a educação é dever constitucional da família e do Estado.



Diz o artigo 205: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988)



Nessa perspectiva, a ação pedagógica da escola, não pode prescindir do apoio da família, sem o qual haverá uma lacuna que compromete o processo educativo.

Toda essa base das práticas educativas faz emergir ainda, outro conceito importante: a avaliação, que inscreve as práticas educativas numa visão processual e contínua; deve ser tomada como um dos pontos importantes. Trata-se da concepção de avaliação formativa, que permite a mobilização de formas distintas de avaliação (diagnóstica, comparativa, contínua, auto-avaliação) e de instrumentos de avaliação diversificados (trabalhos em grupo, exposições orais, relatórios de projetos e outros), sempre inseridos em uma visão democrática, emancipatória e principalmente construtiva.


Nessa perspectiva, a avaliação é entendida como um dos momentos de aprendizagem e não como um instrumento de verificação do produto acumulado.


Os princípios e conceitos acima delimitados compõem a base teórico-metodológica deste projeto, que está em sintonia com as mais recentes discussões sobre Educação.



3. MARCO OPERACIONAL



A organização deste Projeto Político Pedagógico tem suas balizas assentadas em referenciais que tratam o conhecimento como um instrumento de qualificação de homens e mulheres para a prática de cidadania, ou seja, apropriação dos saberes que possibilitarão a intervenção no meio social em que vivem, de forma a transformar a realidade, para que tenhamos um mundo melhor.


Essa concepção e outras já mencionadas em nosso marco teórico e pautadas, também, na linha histórica crítica assumida como fundamento teórico-metodológico, orientarão nossos trabalhos pedagógicos.


O fundamento operacional orienta a concretização das ações institucionais, pautadas nas orientações e influências emanadas dos fundamentos apresentados; assim, os pressupostos teóricos e os aspectos da realidade convergem e orientam a prática. Tem-se, pois, a vinculação da intenção e da ação, ou seja, teoria e prática institucional na concretização do projeto pedagógico.


A organização curricular segue as diretrizes orientadas pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul/SED/MS e será operacionalizada no projeto curricular que se inscreve no interior da escola, com características específicas, desta cultura escolar.


Diante disso, ao planejar e elaborar este Projeto Político Pedagógico entendemos que o mesmo não pode ser pronto e acabado. É um processo dialético. Mesmo porque a ação de planejar, buscar um rumo, uma direção de forma intencional e deve contar com o comprometimento do coletivo, e acima de tudo, levar em consideração a realidade social.


Vivemos em um mundo em que a violência vem sendo banalizada por meio da mídia, face às constantes divulgações e mensagens subluminares em todos os horários, o que inclui noticiários, propagandas, novelas, filmes até mesmo desenhos, programas infanto-juvenis e domingueiros.


É precisamente na escola que as crianças expressam comportamentos que diariamente vivenciam e observam. Meios onde proliferam os maus tratos físicos e psicológicos, onde as privações, a promiscuidade, a baixa escolarização, a pobreza andam de mãos dadas propiciam tais comportamentos.


Observa-se, dessa forma, que a sociedade tem sido um pouco indiferente aos seres que são socialmente frágeis e que muitas vezes adotam condutas violentas como forma de proteção e/ou imitação.


Nessa perspectiva, a Escola Estadual João Carlos Flores, enfrenta essa realidade por ser uma parcela dessa sociedade, na qual está inserida.


Não podemos ignorar que os conflitos e problemas sociais existem, e por isso, é necessário buscarmos alternativas para amenizar tal quadro. Os alunos, desta escola, apresentam realidades pessoais diversificadas, o que dificulta para a equipe pedagógica conhecer e trabalhar as especificidades, pois trazem para a sala de aula, suas frustrações, baixa auto-estima e poucas expectativas com relação ao próprio futuro, o que causa o desinteresse pelos estudos e desrespeito para com os colegas, professores e funcionários da escola.

Portanto, se faz necessária uma ação colegiada que priorize um tipo de organização que sustente e dê forma aos objetivos deste projeto e sua intencionalidade. Assim sendo, as somas desses pontos servirão para a realização de mudanças reais, valorizando os interesses de todos os envolvidos neste processo de construção, para uma educação emancipatória e de qualidade para todos.

Como procedimento teórico-metodológico, elaboramos um quadro síntese que facilitará a visibilidade das ações propostas e sua operacionalização.



III REFERÊNCIAS


BORBA, S. C. Multirreferencialidade na formação do professor-pesquisador: da conformidade à complexidade. Maceió: Edufal, 1997.

BRASIL. Constituição federal 1988.

BRASIL. Lei LDB : de diretrizes e bases da educação: lei n. 9.394/96. Apresentação Esther Grossi. 3. ed. Brasília: DP&A, 2000.

FORQUIN, Jean-Claude. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Trad. Guacira Lopes Louro. Porto Alegre-RS: Artes Médicas, 1993.

HOFF, Sandino. A Humanidade Como Objeto da Educação. Rev. Intermeio, Campo Grande-MS: 1994, v.1, p.74.

IANNI, O. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1997

IANNI, Octávio. Teorias da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.

MATO GROSSO DO SUL. Referenciais Curriculares para o Ensino Fundamental de MS. Campo Grande: SED, 2008.

MATO GROSSO DO SUL. Referenciais Curriculares para o Ensino Médio de MS. Campo Grande: SED, 2008.


ANEXOS